Petróleo, commodities e emergentes?

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Em pleno ano de 2008, e quando já se vislumbrava fortes sinais de crise, os mercados emergentes e o petróleo faziam novos máximos em Abril e Maio. A maior parte dos analistas considerava estes dois mercados relativamente imunes à crise que tinha origem no subprime e no sector financeiro norte-americano.

A história veio no entanto transformar a crise de crédito nos EUA num fenómeno sistémico que acabou por afectar todos os mercados e activos. O comportamento subsequente dos emergentes e do petróleo, em especial a partir de Junho e Julho, foi de certa forma catastrófico e provou que ninguém estava imune à crise. Em 2008 o MSCI EM caiu 50.16%, com a China a perder 44%, o Brasil 56% e a Rússia mais de 70%.

O preço do petróleo, bem como dos mercados emergentes em geral, é por isso uma das grandes curiosidades para 2009. Desde o valor recorde de $147 alcançado em Julho, sofreu uma desvalorização de 70% e registando perdas no acumulado do ano pela primeira vez em 7 anos. O que poderá acontecer no curto prazo está envolvido em bastante incerteza, embora num cenário mais amplo poderemos ver o petróleo a triplicar de preço nos próximos anos, pelo menos são essas as previsões da Agência Energética Internacional (IEA). Actualmente, o consenso geral das maiores casas de investimento situa o preço médio do barril de petróleo a rondar os $45/$50 por barril no ano de 2009.

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Relativamente unânime é também o facto de assim que a economia mundial começar a dar sinais de recuperação consistente, os mesmos factores que levaram à escalada de preços em Julho de 2008 voltarão a estar presentes e os mesmos movimentos poderão suceder, exponenciados pela necessidade de reforço do investimento para ir de encontro ao referido aumento da procura. Tudo isto figura um acréscimo de custos de exploração, que por si já mais do que quadruplicaram desde 2008, o que poderá conduzir a uma crise do lado da oferta, reflectindo-se directa e expressivamente nos preços num sentido de subida.

A recente instabilidade no médio oriente, com os confrontos na faixa de Gaza relembram-nos a sensibilidade do preço do petróleo às notícia e eventos financeiros ou não. O preço do crude recuperou novamente e em apenas algumas sessões passou dos $35 para perto dos $50 por barril.

Nos mercados emergentes o fenómeno foi bastante similar. A partir de Julho o mercado accionista brasileiro, um dos melhores mercados emergentes em 2008, começou a cair violentamente apesar de estar relativamente imune aos principais factores de instabilidade da crise financeira. No entanto, a queda do preço do petróleo contribuiu para a redução dos níveis de resistência à crise.

Estima-se que somente a China contribuirá com 80% da criação de riqueza em 2009. Aparentemente, os fundamentais que fizeram dos BRIC´s os mercados mais desejados pelos investidores nos últimos anos continuam a estar presentes.

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Actualizado: 08/01/09

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