2008-Balanço O ano de 2008 foi marcado pela crise no mercado de crédito originada pela bolha do mercado imobiliário dos EUA que teve e continua a ter enormes repercussões a nível global. Quebras abruptas nas avaliações de praticamente todas as classes de activos (excepção feita à dívida soberana) com os índices de acções a liderarem as quedas com perdas entre 40 a 50% algo não visto desde os anos 30, volatilidades extremas (valor máximo histórico do Vix em Outubro de 89%), mínimos históricos, falências e bail outs fizeram parte da história financeira de 2008. Dados macroeconómicos tais como o desemprego crescente, a queda dos preços nos mercados imobiliários e nos mercados de equity, abrandamento da procura/consumo e consequentemente do investimento, conduziram o PIB da generalidade das economias a nível global para uma zona de estagnação ou recessão técnica. É o caso da UEM-15 (em especial devido ao desempenho da Alemanha, Espanha, Irlanda), o Japão e, à luz do último relatório do NBER, a economia norte-americana que terá entrado em oficialmente em recessão em Dezembro de 2007 (apesar da evidência estatística nunca tal ter revelado), naquele que já é o seu pior período desde Jan. 1981 – Nov. 1992. Para situações extremas requerem-se medidas extremas. A Reserva Federal reduziu drasticamente o preço do dinheiro até virtualmente 0%, entrando em modo de Quantitative Easing (compra de dívida por esgotamento do mecanismo tradicional de controlo de taxas de curto prazo) e expandindo o seu balanço até 4.7 mil milhões de dólares (menos de 0.8 mil milhões antes da crise) passando o seu Banco Central a representar praticamente 30% do GDP norte-americano. Adicionalmente foram implementados planos de injecção de capital, nomeadamente bancos, seguradoras e por último na indústria automóvel. 2009 - Perspectivas Uma das condições essenciais para o mercado estabilizar e para que possamos assistir à inversão de sentimento será o estreitamento dos spreads de crédito. No entanto, este fenómeno apenas acontecerá quando o processo de delevering e liquidações de carteiras atingir a sua recta final. No momento em que isso acontecer, a recessão deverá ser olhada como uma oportunidade. Muitas empresas sairão fortalecidas desta crise, nomeadamente as que mantêm a previsibilidade dos seus cash-flows ou detêm princing power em virtude da sua liderança, inovação ou do sector específico onde actuam (utilities e telecomunicações). Algumas dessas empresas têm vindo a solidificar a sua liderança com balanços fortes, é mesmo o caso de alguns bancos internacionais que aproveitaram a oportunidade para fazer aquisições ou alienar unidades de negócio menos rentáveis. O preço do petróleo é outra das grandes curiosidades para 2009. Desde o valor recorde de $147 alcançado em Julho, sofreu uma desvalorização de 70% e registando perdas no acumulado do ano pela primeira vez em 7 anos. O que poderá acontecer no curto prazo está envolvido em bastante incerteza, embora num cenário mais amplo poderemos ver o petróleo a triplicar de preço nos próximos anos, pelo menos são essas as previsões da Agência Energética Internacional (IEA). Actualmente, o consenso geral das maiores casas de investimento situa o preço médio do barril de petróleo a rondar os $45/$50 por barril no ano de 2009. Relativamente unânime é também o facto de assim que a economia mundial começar a dar sinais de recuperação consistente, os mesmos factores que levaram à escalada de preços em Julho de 2008 voltarão a estar presentes e os mesmos movimentos poderão suceder, exponenciados pela necessidade de reforço do investimento para ir de encontro ao referido aumento da procura. Tudo isto figura um acréscimo de custos de exploração, que por si já mais do que quadruplicaram desde 2008, o que poderá conduzir a uma crise do lado da oferta, reflectindo-se directa e expressivamente nos preços num sentido de subida. As taxas de juro do dólar norte-americano estão virtualmente a 0% e os mecanismos tradicionais de política monetária esgotados. A impressora do Tio Sam está neste momento a produzir notas verdes a toda o vapor. Os Bancos Centrais de todo o mundo estão sincronizados na condução de políticas monetárias mais expansionistas e organizados para injectar tanta liquidez no mercado quanto necessário. No entanto, provavelmente não serão tão agressivos neste processo quanto a Reserva Federal, em especial o BCE. Isto são claras más notícias para o dólar norte-americano que poderá testar mínimos de Abril. O diferencial de taxas de juro é imenso e as medidas adoptadas terão um preço a pagar no médio prazo. No entanto, sejamos justos, nada mais restava ao FED para estancar o processo de autodestruição de todo o sistema financeiro e consequentemente da economia. Neste sentido acreditamos que vamos continuar a observar esta tendência de queda das taxas de referência a nível Europeu, com o BCE provavelmente a efectuar cortes sucessivos de 0.5% (até aos 2% - 1.5%). Por seu turno, o Banco de Inglaterra enfrenta uma situação também complexa, ao ter reduzido os juros até aos 2%, ao mesmo tempo que a Libra se posiciona a níveis muito próximos da paridade face ao Euro (0.97). O panorama Macro continua bastante instável e negro, com todos os indicadores a confirmarem a recessão global. Desemprego, Índices de confiança, crescimento do PIB e inflação – todos estes indicadores apontam no mesmo sentido, sendo que o sentimento generalizado é o de início de recuperação no último trimestre de 2009. Convém relembrar que os mercados accionistas são mecanismos de desconto da realidade futura, pelo que tradicionalmente antecipam por 1a 2 trimestres o final das recessões. Por outro lado, desde a 2ª Grande Guerra Mundial que as subidas registadas pelos índices de acções após um bear market são, nos nove meses subsequentes, de cerca de 30 a 40%. Desde Outubro (mês recorde em termos de volatilidade) que os Índices Accionistas estão de novo a construir bases mais estáveis, pelo que é necessário ter em conta que após o sucedido, mínimos, suportes e resistências deverão ser testados e este é um processo que leva o seu tempo. A IG Markets deseja-lhe um Bom Ano! AVISO:
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